Todas as fotografias
Descrição
Construído nos finais da Idade Média por iniciativa dos últimos Condes de Marialva, cujo túmulo se conserva ainda no interior da igreja, o Mosteiro de Santo António de Ferreirim deve o seu aspecto actual a uma reforma integral produzida durante a primeira metade do século XVI. Em 1525 a Casa foi entregue à Ordem de São Francisco, entrando os primeiros monges dois anos depois. Em 1532 deu-se início à construção da igreja, obra filiada numa mescla estilística manuelino-renascentista com elementos platerescos.
No século XVIII, novas obras de remodelação transformaram substancialmente a obra quinhentista, como o demonstra a construção do galilé setecentista, símbolo de austeridade decorativa e que protege hoje o primitivo portal. A igreja é de uma só nave, e nela se conserva parte do conjunto retabular de inícios do século XVI, obra encomendada pelo Cardeal-Infante D. Afonso, filho de D. Manuel e executada em parceria por três dos mais importantes pintores activos em Portugal nesta altura - Cristóvão de Figueiredo, Gregório Lopes e Garcia Fernandes, designados por "Mestres de Ferreirim".
O contrato para a realização dos três retábulos da igreja do Mosteiro integra o reduzido conjunto documental que se conservou até hoje, fornecendo dados fundamentais para o conhecimento, quer das formas de organização do trabalho - neste caso particular, traduzido numa relação de parceria entre os mestres de Lisboa -, quer da acção mecenática do Alto Clero, cujas preocupações transcendiam o plano material da obra pictórica incidindo, também, sobre os programas iconográficos.
Integrada na parte conventual subsiste uma torre militar medieval, símbolo do primitivo povoamento da localidade após a definição de Portugal como reino independente, depois reformada por uma campanha gótica, e hoje completamente restaurada.
