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Descrição
O projeto do Parque de Nossa dos Remédios tem a data de 11 de Março de 1876 e foi assinado pelo do arquiteto francês A. Vaillaut.
O memorando trata sobretudo da estrutura do espaço, sendo omisso quanto ao arvoredo que o deveria ornamentar.
Entre várias propostas, vinha uma sugestão que nunca foi concretizada: a colocação de uma grande estátua de Nossa Senhora dos Remédios no cume mais elevado da Torre. Tal imagem iria brilhar sobre a cidade através de um farol que teria nos seus pés.
Recorde-se que, nesta altura, ainda não havia torres no Santuário.
O arquiteto estaria, portanto, a pensar na torre que existia junto à Casa do Capelão, atual Hotel Parque. Mas também poderia ter em mente a primeira torre que iria ser construída a partir de 1880.
Foi necessário, no entanto, esperar mais de vinte anos para que o projeto se concretizasse. Foi, de facto, a 22 de Março de 1898 que a Irmandade (representada pelo Juiz António Pinto Aires de Lemos) firmou um contrato com a Real Companhia Hortícola Portuense (presente na pessoa do seu diretor Jerónimo Monteiro da Costa).
Nessa altura, já estava prevista a construção do Lago da Carreira Central e da Gruta de São João.
O preço total da Mata era estimado em dez contos de réis, ressarcidos em vinte prestações, a vencer a 30 de Setembro de cada ano.
Os trabalhos iniciaram-se logo a 4 de Abril, mas foram suspensos a 2 de Julho. Ainda faltava a aprovação do Governo Civil.
A obra só recomeçou a 3 de Abril do ano seguinte tendo sido marcada por várias peripécias.
A primeira plantação foi destruída pelo gado e pelo vandalismo. O Capelão solicitou a suspensão da arborização nas imediações da sua residência. Alegou que precisava de terra para cultivar hortaliça e outros produtos necessários à sua sustentação. Como se isto não bastasse, houve vários desentendimentos entre a Irmandade e a Companhia Hortícola Portuense.
A Gruta da Carreira Central, que devia estar concluída nas festas de 1898, só foi inaugurada em Outubro de 1899.
Nessa altura, ainda estava em curso a florestação, que iria terminar apenas em Fevereiro de 1901. Já então, a Irmandade acreditava que a Mata, «dentro de poucos anos, seria certamente a primeira do país».
Todo este parque, com uma área de 187 mil metros quadrados, está classificado — juntamente com o Santuário e o Escadório — como «imóvel de interesse público».
