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Descrição
O Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, começou a ser construído em 1750, para ser terminado em 1905, ocupando o monte onde existiu desde o século XIV, uma capela dedicada a Santo Estêvão.
No século XVI, esta capela ameaçava ruína e foi mandada construir uma nova igreja pelo bispo da cidade, onde foi colocada também a imagem da virgem com o menino ao colo.
Com o tempo, a devoção a Santo Estêvão foi decaindo e cresceu a dedicação à virgem, que era o alvo das preces de quem padecia de males e necessitava de ajuda, dando origem desta forma à devoção à Senhora dos Remédios.
A “Romaria de Portugal”, considerada em 2020 como uma das 7 Maravilhas da Cultura Popular de Portugal, acontece todos os anos em Setembro, com o seu ponto mais elevado a acontecer no dia 8 com a realização da Majestosa Procissão de Triunfo em Honra a Nossa Senhora dos Remédios.
O Santuário tem a fachada do templo com marcas de estilo barroco, é ladeada por torres sineiras, no interior, o altar-mor ostenta a imagem da Nossa Senhora dos Remédios, esculpida em madeira, e três vitrais com as imagens de Nossa Senhora da Conceição, do Sagrado Coração de Jesus e da Anunciação. Os altares laterais são dedicados aos pais da virgem, as paredes são cobertas por azulejos com imagens da vida da virgem. A escadaria de acesso ao santuário, com 686 degraus, tem vários patamares onde se encontram os reis de Israel, e na base da escadaria, quatro figuras representam as quatro estações do ano.
O projecto do Parque de Nossa dos Remédios tem a data de 11 de Março de 1876 e foi assinado pelo do arquitecto francês A. Vaillaut.
O memorando trata sobretudo da estrutura do espaço, sendo omisso quanto ao arvoredo que o deveria ornamentar.
Entre várias propostas, vinha uma sugestão que nunca foi concretizada: a colocação de uma grande estátua de Nossa Senhora dos Remédios no cume mais elevado da Torre. Tal imagem iria brilhar sobre a cidade através de um farol que teria nos seus pés.
Recorde-se que, nesta altura, ainda não havia torres no Santuário.
O arquitecto estaria, portanto, a pensar na torre que existia junto à Casa do Capelão, actual Hotel Parque. Mas também poderia ter em mente a primeira torre que iria ser construída a partir de 1880.
Foi necessário, no entanto, esperar mais de vinte anos para que o projecto se concretizasse. Foi, de facto, a 22 de Março de 1898 que a Irmandade (representada pelo Juiz António Pinto Aires de Lemos) firmou um contrato com a Real Companhia Hortícola Portuense (presente na pessoa do seu director Jerónimo Monteiro da Costa).
Nessa altura, já estava prevista a construção do Lago da Carreira Central e da Gruta de São João.
O preço total da Mata era estimado em dez contos de réis, ressarcidos em vinte prestações, a vencer a 30 de Setembro de cada ano.
Os trabalhos iniciaram-se logo a 4 de Abril, mas foram suspensos a 2 de Julho. Ainda faltava a aprovação do Governo Civil.
A obra só recomeçou a 3 de Abril do ano seguinte tendo sido marcada por várias peripécias.
A primeira plantação foi destruída pelo gado e pelo vandalismo. O Capelão solicitou a suspensão da arborização nas imediações da sua residência. Alegou que precisava de terra para cultivar hortaliça e outros produtos necessários à sua sustentação. Como se isto não bastasse, houve vários desentendimentos entre a Irmandade e a Companhia Hortícola Portuense.
A Gruta da Carreira Central, que devia estar concluída nas festas de 1898, só foi inaugurada em Outubro de 1899.
Nessa altura, ainda estava em curso a florestação, que iria terminar apenas em Fevereiro de 1901. Já então, a Irmandade acreditava que a Mata, «dentro de poucos anos, seria certamente a primeira do país».
Todo este parque, com uma área de 187 mil metros quadrados, está classificado — juntamente com o Santuário e o Escadório — como «imóvel de interesse público».
De salientar, o Chafariz, um projecto da autoria de Nicolau Nasoni, construído em 1738, como consta na gravação visível na parte superior, sendo anterior ao actual Santuário.
O retábulo de cantaria é muito bem delineado e possui duas bicas que jorram água ininterruptamente, não havendo memória de alguma vez secarem.
Ao alto possui uma cruz adornada lateralmente por duas flores-de-lis. Debaixo e ao centro sobressai um painel liso em forma oval onde, segundo alguns registos, existiam antigamente umas inscrições em letras douradas.
Esta fonte foi transferida para este local, do adro da antiga capela construída pelo bispo D. Manuel de Noronha e a água vem de duas minas situadas acima do parque.
